Newsletter, Novembro, November, 2013

Parceria Estratégica Bilateral Brasil-Índia.

"Ao se aproximarem, Brasil e Índia se acercam também das modernas estratégias para o desenvolvimento sustentável, ecológico, e que consideram o mundo a partir de um ponto de vista sistêmico, rizomático e holístico. O princípio subjacente a esta visão orgânica, ou seja, que estamos todos conectados e que somos partes de um mesmo organismo, embora pareça recente e ocidental, é, na verdade, antiquíssimo e faz parte da herança cultural da tradição da Índia. ".

by Rubens Tucci

Juiz de Fora Federal University.

Há algum tempo a aproximação entre o Brasil e a Índia é vista como prioridade estratégica por ambas as nações. Desde a “Declaração de Nova Deli” (2004) foram criados vários mecanismos de integração e acordos de cooperação, culminando com o evento “India Brasil Dialogue”, realizado na Universidade de Goa (2011). Se tal aproximação fora, no passado, apenas o projeto de intelectuais como Farias Brito (estudioso da obra de Schopenhauer), Cecília Meireles (cujo modernismo antropofágico e reflexivo procurava subsumir a obra de Rabindranath Tagore e de Mahatma Gandhi) e Gilberto Freyre (que via o ativismo de Gandhi como um modelo para o processo de construção política e social de uma nação), no presente, tornou-se um projeto que alcançou as esferas políticas e diplomáticas desses países.Construída sobre sólidos valores democráticos, a parceria estratégica bilateral Brasil-India está aprofundando o diálogo e o respeito pelas diferentes visões de mundo. O contraste Oriente-Ocidente e o âmbito da semelhança Sul-Sul entre Brasil e Índia revelam, de um lado, como estas nações vinculam-se, historicamente, enquanto colônias do período pré-industrial e, de outro, como ambas buscam referenciais alternativos aos do eixo Norte-Sul, os quais têm inviabilizado a troca, livre de impedimentos, de experiências culturais, comerciais e de valores em sentido amplo.Ao se aproximarem, Brasil e Índia se acercam também das modernas estratégias para o desenvolvimento sustentável, ecológico, e que consideram o mundo a partir de um ponto de vista sistêmico, rizomático e holístico. O princípio subjacente a esta visão orgânica, ou seja, que estamos todos conectados e que somos partes de um mesmo organismo, embora pareça recente e ocidental, é, na verdade, antiquíssimo e faz parte da herança cultural da tradição da Índia. É desta interface cinza, indefinida, mas de caráter complementar, entre as distintas visões de mundo de Brasil e Índia, que têm emergido, por exemplo, algumas das principais articulações do eixo Sul-Sul, com relação à cooperação no âmbito do G-4, G-20 e de outros foros internacionais. O estabelecimento do Fórum do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) em 2013 e o incremento do turismo no âmbito do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) são exemplos claros do sucesso e caráter irreversível do projeto de integração entre Índia e Brasil.Em suma, a aproximação entre Brasil e Índia representa a possibilidade de dar uma resposta positiva ao desafio de ocupar um novo espaço, fora daquele estereótipo, ainda dominante, de que somos caracterizados pela desigualdade e pela incapacidade de uma interlocução autônoma com as nações do Norte. E é neste sentido, inclusive, que se formou recentemente o Programa de Estudos Indianos (PEIND), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

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